segunda-feira, 19 de novembro de 2012

IGREJA CATÓLICA E AS INDULGÊNCIAS.


O CÉU EM LIQUIDAÇÃO 

O dogma do Purgatório, ensinado pela Igreja Católica (IC), é conhecido como a sua “galinha dos ovos de ouro”. Ensinam os católicos que existem quatro lugares no outro mundo: Céu, Inferno, Purgatório e Limbo. 

Para o Limbo vão as crianças que morrem sem batismo. E um lugar de sombras, sem penas, sem sofrimento, mas também sem alegria alguma. Porém, a Bíblia nada diz sobre o Limbo, sendo que o próprio Jesus declarou: 

Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o relho dos céus. (Mt 19.14) Para Jesus, os meninos são do reino dos céus, mesmo sem batismo; mas a IC os manda para o Limbo. 

Sobre o Purgatório ensinam que: As almas do purgatório padecem um tormento muito semelhante ao das almas do inferno, com a única diferença de que as últimas nunca poderão sair do inferno, enquanto que, as do purga­tório hão de sair de lá. (Concílio de 

Florença, em 1439). De acordo com este ensino, as missas celebradas pelos parentes constituem o recurso para que as almas sejam aliviadas e deixem mais depressa o Purgatório. Naturalmente, as missas para sufrágios dos parentes mortos, são cobradas, constituindo-se na “galinha dos ovos de ouro” do Catolicismo —sua rentabilíssíma indústria purgatoriana. A doutrina do Purgatório implica na ad­missão da insuficiência do sangue de Cristo, embora leiamos em 1 Jo 1.7 que o sangue de Jesus Cristo... nos purifica de todo o pecado. Repetindo: não de alguns pecados, mas de todo o pecado. Será que o fogo do purgatório é mais eficaz do que o sangue de Cristo? Para que serve então o sangue de Cristo’? A “Grande Multidão” de Ap 7.9- 15 possuía algo em comum: todos tinham lavado suas vestiduras no sangue do Cordeiro e, por isso, estavam diante do Trono de Deus no céu. Não foi preciso o fogo de Purgatório para que se purificassem. 

INDULGÊNCIAS 

Não satisfeita com a sua “galinha dos ovos de ouro” do Purgatório, agora a Igreja Católica, no ano de 2000, verá seus cofres recheados com dinheiro da visita de milhões de pessoas ao Vaticano, as quais entrarão pela porta de São Pedro para receber esse favor católico das “INDULGÊNCIAS”. 

A Igreja Católica define como indulgência . . .a remissão da pena temporal devida pelos pecados já per­doados quanto à culpa, remissão que a Igreja concede fora do Sacramento da Penitência. 

Assim, ensinando que o papa é o vigário de Cristo e o cabeça da Igreja, pode ele sacar do “Tesouro da Igreja” os bens de que ela é depositária. 

A IC constrói a sua doutrina sobre Mt 16.19, onde se lê: ... o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado no céu. 

O papa sustenta que tem poder de outorgar qualquer destas indulgências a toda a Igreja ou a qualquer membro da Igreja, individualmente. Em 1903, o papa delegou autoridade a outros sacerdotes, permitindo aos cardeais outorgarem indulgência por duzentos dias, cada um em sua própria diocese; aos arcebispos, por cem dias; aos bispos, por cinqüenta dias, cada um em sua própria diocese. 

O PODER DE “LIGAR E DESLIGAR” 

O poder de “ligar e desligar”, dado a Pedro, só pode ser exercido segundo as condições que o próprio Jesus estabeleceu: por meio da pregação do Evangelho. O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho. (Mc 1.15) 

Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse e ao terceiro dia ressuscitasse dos mortos. E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão de pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. (Lc 24.46- 47) 

Arrependimento e fé, eis as condições imutáveis mediante as quais o perdão é oferecido ao pecador e pode ser recebido por ele. Pedro, em suas mensagens, pregou-as e insistiu nelas (At 2.38; 3.19; 10.43). 

HISTORIA 

A Bíblia estabelecia para os israelitas O Ano do Jubileu. Diz a Bíblia: 

E santificareis o ano qüinquagésimo, e apregoareis liberdade na ter­ra a todos os seus mora­dores; ano de jubileu vos será, e tomareis cada um à sua possessão, e tornareis, cada um à sua família. O ano qüinquagésimo vos será jubileu (Lv 25.10-11). Com base no jubileu bíblico, os católicos estabeleceram o primeiro jubileu relacionado com as peregrinações à Roma. Foi instituído por Bonifácio VIII, em 1300, tomando a forma de indulgência plenária, outorgada a todos os fiéis que visitassem as basílicas romanas de São Pedro, São Paulo, Santa Maria Maior e São João Latrão, e recebessem os Sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Os jubileus católicos, a princípio eram celebrados de cem em cem anos, porém, em 1350, os cidadãos de Roma pediram ao papa Clemente VI que declarasse aquele ano santo, ano do jubileu. Assim, o intervalo entre um jubileu e outro passou a ser de cinqüenta anos. Posteriormente, os jubileus foram reduzidos para 33 anos por Urbano VI, em 1389, e a 25 anos, por Paulo II, em 1470. Diz o ensino católico: O Jubileu, que ordinariamente se concede todos os 25 anos, é uma indulgência plenária, à qual es­tão anexos muitos privilégios e concessões particulares, como o poder de obter-se a absolvição de alguns pecados reservados e de censuras, e a comutação de alguns votos. 

OS TIPOS DE INDULGÊNCIAS 

Existem modalidades diferentes de indulgências: quanto ao tempo de duração e quanto ao lugar. Quanto ao tempo de duração existem as indulgências plenárias ou completas e as indulgências parciais. Nas indulgências plenárias ou completas o pecador é isento das penalidades desta vida e da que há de vir no Purgatório. O ensino católico sobre as indulgências plenárias é: A indulgência plenária é a que perdoa toda a pena temporal devida pelos nossos pecados. Por isso, se alguém morresse depois de ter recebido esta indulgência, iria logo para o céu, inteira­mente isento das penas do Purgatório. Nas indulgências parciais a isenção das penas é dada por um tempo determinado de dez, vinte ou trinta dias. 

Quanto ao lugar as indulgências universais são para uso de todas as Igrejas em toda parte. As indulgências particulares são para uso das Igrejas específicas ou de relicários. 

PRONUNCIAMENTO DE MARTINHO LUTERO 

Muitos historiadores católicos admitem que, no passado, se abusou mui­to grosseiramente da prática da indulgência, fato que deu origem a severas críticas. Foi o que aconteceu em 31 de outubro de 1517, quando Martinho Lutero afixou na Igreja de Wittemberg, na Alemanha, um texto em latim com 95 teses que contrariavam os dogmas da Igreja Católica. Condenava, por exemplo, a “venda” de indulgências que o Papa Leão X estava promovendo para construir a Basílica de São Pedro em Roma. Um dos textos muito lembrado por Lutero era o de Rm 1.17: o justo viverá da fé. 

Um dos nomes mais conhecidos em Roma, nessa ocasião da construção da Basílica de São Pedro, foi o do cardeal João Tetzel que viajava pelo mundo católico recolhendo contribuições para essa construção. Uma das suas declarações relacionadas à oportunidade das pessoas escaparem do Purgatório por meio de indulgências se tomou célebre: No momento em que uma moeda tilinta no fundo do gazofilácio, uma alma escapa do purgatório. A IC tem duas inesgotáveis “galinhas dos ovos de ouro”: o Purgatório e as Indulgências — sendo estas para salvar os ricos, os que têm dinheiro com que resgatar os seus pecados. Jesus, quando viu o jovem rico afastar-se dele por não se dispor a vender seus bens para segui-lo, declarou: 

Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino de Deus. (Mt 19.23). Entretanto, dentro do ensino católico, essa entrada se tomou fácil para os ricos: as indulgências abrem-lhe as portas. 

E os pobres que continuem sofrendo neste mundo e que paguem no purgatório por séculos sem fim, o castigo dos seus pecados, porque não têm dinheiro para missas e indulgências, mui­to embora Jesus houvesse dito: ... aos pobres é anunciado o evangelho (Mt 11.5) (A Bíblia e o Catolicismo Romano, p. 113). O Papa Leão X ensinava que uma pessoa rica poderia doar terras e bens materiais à Igreja e assim comprar um lote de terreno no paraíso. 

Não é por acaso que a Igreja Católica é um dos maiores proprietários de terras e imóveis em todo o mundo. 

Na tese 82, Martinho Lutero declarava: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando, em troca de vil dinheiro para a construção da Catedral de 5. Pedro, livra um sem-número de almas, logo por motivo bastante insignificante? Martinho Lutero foi excomungado em 1521, mas seu pro­testo virou uma nova denominação — o LUTERANISMO. 

O QUE DIZ A BÍBLIA 

A Bíblia afirma que após a morte segue-se o juízo (Hb 9.27). Como afirmamos, existem dois lugares apontados para depois desta vida e, num dos dois, todos os homens se encontrarão. Jesus falou do céu ao afirmar: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. E falou do inferno, dizendo: Apartai-vos de mim, mal­ditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. . . .E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. (Mt 25.34,41,46). Jesus disse ao ladrão arre­pendido: Hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23.43). À mulher perdida, que ungiu os pés de Jesus com suas lágrimas, arrependida dos seus pecados, ele disse: Os teus pecados te são perdoa­dos. (...) A tua fé te salvou; vai-te e não peques mais. (Lc 7.48,50) 

Paulo não esperava o purgatório nem admitia Indulgências. Falou o seguinte: Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. (Fp 1.21) 

SOBRE O ACORDO RECENTE ENTRE CATÓLICOS E LUTERANOS 

O que pretende realmente a IC com o recente acordo firmado com os Luteranos? Renunciar a alguns dos seus dogmas? Certamente que não, pois justamente a prática das indulgências foi o que deu margem ao rompimento de Martinho Lutero com a Igreja Católica. Perguntamos: Foi ela abandonada pela IC? Ao contrário, essa prática da indulgência tem sido amplamente divulgada e o será durante o ano 2000. É o ano do Jubileu Católico quando se oferecerá o perdão de pecados para os que visitarem o Vaticano. O que tem em vista, então, esse acordo? Isto nada mais é do que uma estratégia para silenciar os evangélicos em todo o mundo. É o conhecido Ecumenismo implantado a partir do Concílio Vaticano II pelo papa João XXIII. Alguns luteranos menos afeitos à leitura da Bíblia estão eufóricos com a celebração desse acordo ocorrido em 31 de outubro de 1999. Como título UMA LiNDA FESTA, um leitor do Estadão, edição de 9-11-99, escreveu na coluna FÓRUM DE DEBATES: Quase cinco séculos depois que o monge Martin Luther começou a reforma da Igreja, católicos e luteranos do mundo se uni­ram formalmente com a assinatura da Declaração Conjunta Católica-Luterana, em Augusburg, na Alemanha... Quero agradecer ao Estadão, em meu nome e no de 58 milhões de luteranos de todo o mundo, pela reportagem sobre um assunto tão importante que é a fraternização universal dos servos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, nem todos os luteranos são desavisados e aceitaram esse acordo. A FOLHA UNIVERSAL, de 14-11-99, declarou que . . .nem to­das as igrejas luteranas aceitaram o acordo e, pelo menos, 22 já manifestaram publicamente a rejeição. A maioria delas, no Brasil, pertence à ramificação da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, e tem diferenças importantes de interpretação bíblica da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Por meio de um seu representante, a IELB declarou que, na prática, as pendências que separam luteranos e católicos continuarão existindo: O documento afirma que a salvação e o per­dão são graças de Deus, mas não é isso que João Paulo II tem anunciado. A Bíblia deixa aberta a pergunta, difícil de responder: Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? (Am 3.3). Um acordo incoerente, e condenado pela Bíblia em 2 Co 6.16: 

E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porventura a IC abandonou a idolatria? A mariolatria? O dogma do Purgatório? A prática da Indulgência? Certamente que não! Logo, fica em pé a recomendação de Ap 18.4-5: E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela. O acordo, portanto, é impróprio.